#5 Edição vídeo
- 21 de jun.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 5 dias

Buster Keaton - "Sherlock Jr."
O engodo começa amiúde com um Fade in para a singularidade da arte plástica que brinca com o tempo e o espaço e usa artifícios técnicos, artísticos e psicológicos, para levar pela mão, à boleia de uma voluntária suspensão de descrença, o homem, pela sua história e estórias, pelas suas fantasias, os seus medos, os seus sonhos… um espelho ontológico em suporte 2D a projectar e a afectar o Ser em suas múltiplas dimensões...
O timelapse reverso leva-nos ao dissolve que revela um teatro de sombras chinês, real alegoria da caverna, e ao aproveitamento que o artista faz da vontade do homem escapar de si… brinquedos rotativos com fotografias de homens e cavalos que parecem correr, magicamente, na nossa mão… a persistência da memória a permitir às imagens manipuladas com mestria e sequência, viagens à velocidade do sentir…
Não foi o jet fuel e o conhecimento de foguetes Nazi que levou o primeiro homem à lua, foi Meliés com a sua máquina de corte, costura e fantasia…
Griffith descobriu que o paralelismo de acções cria dinamismo e agarra mais o espectador, enquanto Eisenstein se lançou por uma escadaria conceptual a justapor símbolos em montagens para ir mais fundo… e Kuleshov alertava que o que vem antes influencia a perceção do depois…
num piscar de olhos de Murch…
Os visionários a tentar quebrar as correntes da linearidade, para expressar uma singularidade, o filme como um horizonte de eventos…
Jump cut para o match action de Kubrick a fazer poesia com a imagem, mestre manipulador a levar-nos desorientados por um brilhante labirinto de planos, e a mostrar ao homem, que se acha Vitrúvio, que a sua evolução tem apenas duas imagens e míseros segundos…
ou um fósforo que Sir Ian Mckellen acende para uma chama que se revela um sol no deserto…
Da tesoura e cola para a lâmina digital do editor de bits, da necessidade física de juntar partes em cima da mesa para o ripple delete no ecrã… o editor em transe monta o puzzle de planos e ângulos através de cortes e transições e insere a soundtrack na pista certa… onde Burroughs projecta a voz na collab com Gus Von Sant:
“Images, millions and millions of images…”
Fade out
Roll credits
Termina a viagem que, às vezes, se imprime em nós…
© Luís Romero 2026


